Guidi: Projeto para a inclusão de idosos
O desafio: Tendo como base as projeções da Organização Mundial de Saúde, que mostram que o número de pessoas com idade superior a 60 anos chegará a 2 bilhões até 2050, vemos que a nossa sociedade tende a ter uma quantidade cada vez maior de idosos. Agora pensando em tecnologia, em um planeta que está cada dia mais conectado, como estamos nos preparando, entendendo e desenvolvendo meios para garantir que essa parcela da população tenha uma boa relação com o
mundo digital?
A solução: O Guidi, é um aplicativo que tem como objetivo auxiliar na inclusão digital dos idosos. Foi resultado de pesquisas bibliográficas, de mercado e de campo com o público alvo. O projeto tem por objetivo tornar os celulares mais acessíveis, e permitir com que os idosos aprendam a realizar novas tarefas através de aulas especialmente desenvolvidas para eles.
Meu papel:
Product Designer do projeto
Finalidade:
Projeto de Conclusão de Curso
Centro Universitário Senac - Santo Amaro
Ano:
2022
Nota obtida: 10





Overview
Desde que comecei a estudar e a trabalhar com design, até então, a questão da acessibilidade, na minha visão, era limitada a pessoas que tivessem algum tipo
de defi ciência. Nunca cheguei a pensar em como os idosos eram um público a ser atendido e em como o design deve ter um papel bastante significativo sobre o tema. Isso começou a mudar quando conheci mais de perto um projeto que duas amigas começaram a desempenhar, que envolviam suas áreas de atuação: Gerontologia e Terapia Ocupacional.
Neste projeto, elas realizavam oficinas com alguns idosos para simplificar a tecnologia. Participando de algumas das aulas, compreendi a carência que muitos idosos têm sobre o tema, também vi que muitos estão dispostos a aprender mais sobre o tema para se sentirem mais independentes e só não encontram pessoas que os ensinem da forma que precisam. Muitos costumam recorrer aos próprios familiares, que acabam não tendo tanta paciência e não os encorajam nessas tarefas.
Observando a forma com que as aulas eram ministradas e conversando com as duas profissionais, entendi que o público idoso, por diversas razões, necessita de um forma específica de aprendizado e ensino e assim, pensando em como impulsionar este projeto, passei a me questionar: O que o design poderia fazer em uma de suas esferas para ajudar nesta questão? E, assim, surgiu a iniciativa de pesquisa e aprofundamento que deram origem a este projeto.

Discovery
Etapa para se aprofundar sobre o tema, compreender o problema em questão para definir metas e direcionamentos. O objetivo é obter insights que informarão a direção do design nas próximas etapas.
Pesquisas sobre os idosos e tecnologia
Realizei diversas pesquisas para entender as projeções do Brasil com relação ao envelhecimento populacional e hábitos de uso de tecnologia por esta parcela da população, suas dificuldades e percepções.
Acessibilidade em design
Tendo em vista as dificuldades encontradas e listadas por este público, me aprofundei no tema da acessibilidade e em formas de tornar o design mais eficiente para este público.
Pesquisas de iniciativas
Pesquisei outros projetos e iniciativas que tinham algum objetivo similar, para entender como se organizavam e que metodologia utilizavam.
Pesquisa com público alvo
Para confirmar alguns dos pontos levantados anteriormente e conseguir um direcionamento de prioridades para esse projeto, foi realizada uma pesquisa com pessoas com mais de 50 anos através da internet.
Criação de jornada
Com base nos entendimentos e necessidades deste público, criei uma jornada para visualizar e organizar as ideias de fluxo.


Algumas das anotações dos estudos realizados e jornada do produto.
Principais conclusões
Ficou clara a necessidade deste público em ter algum tipo de suporte com relação a tecnologia e como muitos se sentem inseguros e até vulneráveis. O Brasil tende a ter uma das maiores populações idosas do planeta e é importante olharmos para esse público, tornar a tecnologia mais acessível, para que possam ser verdadeiramente incluídos neste cenário e o design tem um papel importante nesta construção.
Prototipação
Com base com o que foi definido depois da ideação e de todas as demais etapas do projeto, foram criados protótipos para dar forma as soluções e melhorias mapeadas.
A proposta para este projeto é desenvolver um protótipo de aplicativo que, como um tipo de launcher que permita a personalização do celular para torná-lo mais acessível para o idoso, dando a ele a liberdade de selecionar quais
ações deseja aplicar, como: Qual será o tamanho da fonte, quais apps ele deseja destacar, qual estilo de botão é melhor, entre outros.
Outra ação é a criação de um ambiente educacional, onde ele aprenda, com base na repetição e pausas, a como fazer algumas ações nos principais aplicativos, seguindo um tour guiado. Esta metodologia foi escolhida baseada nas pesquisas e aprendizados de outros projetos que tem por objetivo ensinar ao público idosos sobre o tema, como abordado anteriormente.
O aplicativo em si foi batizado de Guidi, seguindo a ideia de guia para o público idoso e seguindo a pesquisas, para essa primeira versão e validação, foi desenvolvida as interfaces relativas às aulas de WhatsApp, que tem por objetivo serem testadas para validar a proposta e metodologia.

Wireframes do projeto

Fluxos de protótipo em alta fidelidade

Logo do aplicativo
Teste de usabilidade
Para validar as hipóteses que deram origem a este projeto e confirmar se a metodologia desenvolvida e adaptada era eficiente, foram realizados testes de usabilidade com alguns fluxos de aulas.
Para este teste, foram desenvolvidas 3 aulas de WhatsApp no aplicativo do Figma para que fossem navegáveis e tivessem um alto grau de fidelidade.
As aulas escolhidas foram: Como fazer uma chamada de vídeo, como fazer uma ligação e como postar um status. Para este teste, foram convidados dois idosos. Que compartilharam suas percepções sobre as telas e tentaram aplicar o conteúdo aprendido em seu WhatsApp verdadeiro.
De maneira geral, o protótipo cumpriu bem o seu papel e a proposta do projeto foi validada com sucesso. Os idosos em si conseguiram realizar as atividades propostas e acima de tudo, aprenderam algo novo que trouxe mais felicidade e aumentou sua autoestima. Ver o resultado positivo foi bastante gratificante e mostrou que o projeto em si tem potencial.





“ Eu sempre mudava o meu status e nunca adicionava uma legenda porque eu tinha dúvidas se ia dar certo.
De colocar a legenda e a foto sumir. Agora eu já sei! "
Maria José, 65 anos
Considerações do projeto
Este projeto foi um grande desafio desde o início e agregou bastante para a minha formação. Durante o curso, desenvolvi diversos projetos para diversos públicos diferentes, mas até então, nunca havia desenvolvido nada voltado aos idosos.
Depois de ver os dados e projeções para o futuro relacionados ao envelhecimento da população, ficou claro para mim o quanto é importante pensarmos em um design e ações que incluam esse público em nossos projetos e o quanto ainda temos que evoluir e nos desenvolver para chegarmos no mundo ideal.
Somos seres sociais e nossas relações estão cada vez mais digitais. O mundo agora ficou menor, mas infelizmente, não para todos. Poder se comunicar com seus amigos e familiares, assistir um vídeo no seu aplicativo favorito, marcar uma consulta na internet, são atividades rotineiras para muitos e conseguir executá-las, de alguma forma nos ajudam a nos manter ativos e saudáveis psicologicamente.
O design tem um papel muito importante nesse processo. Ajudamos a construir esse mundo e devemos levar como pauta questões sobre a acessibilidade e inclusão. Este projeto, que há alguns meses atrás parecia um desafio quase impossível rumo ao inexplorado, se mostrou possível e necessário e os sorrisos e agradecimentos que recebi ao final, mostraram que estou no caminho certo e que sim, precisamos nos preocupar com esses assuntos.
